sábado, 4 de maio de 2013

Lição 5 - Conflitos na Família - 1

“Porque o filho despreza o pai, afilha se levanta contra sua mãe, a nora, contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa” (Mq 7.6). O conflitos na família podem ser resolvidos com a graça e o amor no coração. O melhor mediador é o Espírito Santo. Os inimigos da instituição familiar tradicional, da família nuclear, formada na união dos pais, dos filhos e seus descendentes, costumam usar argumento falacioso de que, no mundo pós-moderno, não há mais lugar para esse tipo de família.


Os conflitos em família não são incomuns, pelo contrário, desde os tempos primordiais eles existem. São fruto natural da desobediência do ser humano ao seu Criador. No lar edênico, antes da Queda, havia um ambiente perfeito, de paz, harmonia e amor. Não sabemos quanto tempo durou a “lua de mel” entre Adão e Eva. Como se depreende do texto bíblico, o Criador visitava o primeiro casal diariamente, “pela viração do dia” (Gn 3.8), no final das tardes maravilhosas do Paraíso.

Entretanto, o “dia mau” (Ef 6.13) chegou e eles não tinham a armadura de Deus de que as famílias cristãs dispõem. Ouvindo a voz do Tentador, perderam a doce e gloriosa comunhão com Deus. E a tragédia humana começou. Vieram os filhos. O primogênito, Caim, levantou-se contra o seu irmão, Abel, e o matou, por inveja, face a aceitação, pelo Senhor, do sacrifício do seu irmão. Este primeiro conflito entre irmãos de início à terrível saga da morte por homicídio no mundo. A Bíblia, livro espiritual e histórico original da experiência do homem na Terra, conta inúmeros casos de conflitos familiares.

Abraão teve sério conflito com a sua esposa, pelo fato de ter tido um filho com a sua serva. A bigamia trouxe problemas familiares. E o patriarca teve que expulsar a jovem concubina juntamente com seu filho.

Entre os profetas, houve famílias conflituosas. Eli teve filhos trabalhosos, que lhe causaram grandes problemas (1 Sm 2.22). Entre os reis de Israel, não foram poucos os problemas familiares. Normalmente, eram conflitos no seio de famílias numerosas, descendentes de casamentos poligâmicos. Davi é um caso emblemático. Ele tinha mulheres e concubinas. Seus filhos lhe causaram muitos problemas. Um deles, Amnom, apaixonou-se por sua meia-irmã (2 Sm 13.1). Usando de astúcia, enganou a jovem Tamar e abusou dela sexualmente, violentando-a (2 Sm 13.1-22). Houve revolta na família, e, tempos depois, esse filho foi assassinado pelo irmão da moça, Absalão. O resultado foi uma guerra entre o filho e o rei, com graves consequências para a família. Absalão morreu na batalha, de modo trágico e doloroso para o pai.

Há outros casos igualmente marcantes. Mas os conflitos entre as famílias, entre pais e filhos, entre irmãos, entre parentes, ao longo da história, têm sido comuns. Mesmo entre famílias cristãs, há inúmeros conflitos. A razão é a mesma: o pecado, a desobediência a Deus e a seus princípios, para o relacionamento entre as pessoas. Quando um esposo discute com a esposa ou vice-versa, em tom de desrespeito, é falta de amor a Deus, e de amor ao seu próximo (Mt 22.34-40). A exortação bíblica manda o marido amar sua esposa “como Cristo ama a Igreja” (Ef 5.25). E a esposa deve a submissão no amor a seu esposo, “como a Igreja está sujeita a Cristo” (Ef 5.22). Sem esse relacionamento, baseado no amor a Deus e no amor conjugal verdadeiro, os conflitos são inevitáveis.

Quando pais brigam com seus filhos, faltando-lhes com o respeito, ou, quando filhos faltam com respeito a seus pais, é porque a linha demarcatória do amor foi rompida. A Bíblia diz: “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.1-4). Os conflitos podem ser evitados na família cristã, com a presença marcante de Deus no lar.

Além disso, no lado humano, quando há diálogo sincero e amoroso, entre pais e filhos; quando há respeito, afeto e amor; o relacionamento familiar, protegido pela bênção de Deus, torna-se agradável e estimulante. E possível, sim, evitar ou amenizar conflitos no lar cristão. Podemos todas as coisas “naquele que nos fortalece” (Fp 4.13).

I - DESENTENDIMENTO ENTRE OS CÔNJUGES

1. Temperamentos diferentes

Os psicólogos que aceitam a teoria dos temperamentos entendem que temperamento “...é a combinação de características inatas que herdamos dos nossos pais que, de forma inconsciente, afetam o nosso comportamento”.1 Numa conceituação livre, podemos dizer que temperamento é a maneira própria pela qual reagimos aos diversos estímulos e situações que se nos apresentam em nossa vida diária. Segundo a teoria, há quatro temperamentos: sanguíneo e colérico (extrovertidos); melancólico e fleumático (introvertidos). Segundo essa teoria, muito antiga, todas as pessoas têm virtudes (ou qualidades) e defeitos.

No caso dos cônjuges cristãos, eles não estão isentos das diferenças de temperamentos ou diferenças pessoais. Tais diferenças têm forte componente genético adquirido dos pais. Se um esposo é colérico, bastante enérgico, decidido, no lado das qualidades; pode ter problemas no relacionamento conjugal, se deixar se dominar pelos seus defeitos de prepotência, impaciência e insensibilidade diante de uma esposa que é muito sensível e minuciosa. O colérico quer fazer tudo à sua maneira e com rapidez em suas decisões. Se a esposa fleumática deixar se levar pelos defeitos de temperamento, com egoísmo e inflexibilidade, poderá haver sérios conflitos no lar.

A mesma análise, confrontando virtudes e defeitos dos demais temperamentos, pode ser aplicada ao relacionamento conjugal. O desejável é que haja compreensão e amor no relacionamento entre cônjuges. O colérico, que deseja tudo com muita rapidez, deve compreender sua esposa fleumática, que gosta de ver as coisas com mais calma e minúcias. Sem amor não é possível um entendimento saudável. Em todos os casos, 0 que deve prevalecer, no lar, é o entendimento, a harmonia conjugal (SI 133.1). Os casais cristãos são formados por “irmãos” em Cristo. E precisam saber viver com harmonia.

A diferença de temperamento pode ser muito benéfica. É preferível a temperamentos idênticos. Imagine-se um esposo colérico em confronto com uma esposa de mesmo temperamento. E se um esposo é fleumático, que não tem pressa para nada, e uma esposa com a mesma maneira de agir. As decisões podem ser prejudicadas pela falta de diligência de ambos. Mas, quando um quer ser apressado, e o outro procura influenciar em ter mais calma, isso ajuda muito, promovendo equilíbrio nas decisões. O fator de equilíbrio entre os temperamentos diferentes é o amor. Diz a Palavra de Deus que o amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Co 13.7).

2. Formação familiar diferente

Durante o namoro e até no noivado, é comum o casal aspirante ao casamento não se preocupar muito com a formação familiar de cada um deles. Mas a experiência demonstra que muitos conflitos são provocados por esse fator. A Bíblia exorta que os pais devem criar seus filhos “na doutrina e admoestação do Senhor”. Quando a jovem tem uma boa formação cristã, tende a valorizar as coisas espirituais. Se ela se casa com um rapaz que não tem a mesma formação; é convertido, mas não teve em seu lar o zelo pela Palavra de Deus, pela igreja, pela vida espiritual, podem surgir conflitos muitas vezes prejudiciais ao relacionamento conjugal.

Daí, porque Paulo aconselhava de modo solene: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis” (2 Co 6.14). Vemos casos em que uma jovem cristã casa-se com um jovem que aceitou a Cristo, mas teve forte influência da família, adepta de outra religião. Com o passar do tempo, o esposo resolve insurgir-se contra a igreja evangélica por considerá-la muito rígida. O resultado são conflitos conjugais.

3. Dívidas

As dívidas, como inimigos do lar, são aquelas efetuadas sem controle, além das possibilidades da renda familiar. Essas, dentre outras coisas, trazem consequências negativas e podem ser causa de conflitos conjugais. Uma pessoa endividada fica intranquila, pensando no compromisso não saldado. Muitos ficam sofrendo de doenças nervosas por causa de dívidas.

As dívidas, contraídas além das possibilidades do casal, perturbam o relacionamento, gerando muitos conflitos. Quando um dos cônjuges resolve intervir, reclamando cuidado com as finanças do lar, o outro se aborrece, dizendo que tem o direito de gastar. O outro cônjuge sente-se ferido, por não ser ouvido. E os conflitos aumentam.

Como evitar conflitos por causa de dividas Para evitar conflitos por causa de dívidas, alguns conselhos podem ser úteis:

• Se possível, procure comprar à vista.
• Se tiver de comprar a prazo, avalie o quanto vai comprometer do seu orçamento familiar com a prestação assumida. Não é bom comprometer toda a renda.
• Ofereça resistência ao desejo de comprar. O cristão só deve comprar aquilo que é necessário. Às vezes, os vendedores tentam “empurrar” as coisas de qualquer jeito. Só depois, é que o comprador verifica que poderia ter passado sem “aquelas coisas”.
• Jamais faça empréstimos para adquirir coisas supérfluas. É preferível manter-se dentro de um padrão mais modesto de vida, somente com as coisas necessárias, do que tornar-se um endividado por causa dos artigos que são dispensáveis (Pv 22.7).
• Tenha muito cuidado em ser fiador. Ficar por fiador de um companheiro já não é coisa boa, conforme Provérbios 6.1; e ficar por fiador de um estranho, é pior ainda. Leia Provérbios 11.15; 17.18; 20.16; 22.26; 27.13.
• Faça um orçamento familiar.

4. Desconfiança entre os cônjuges

Tem sido uma das principais causas de conflito no matrimônio. O casamento só tem sentido quando fundado no amor verdadeiro. Quando o casal se ama de verdade, não há motivos para desconfianças ou ciúmes infundados. Paulo diz que “a caridade”, ou “o amor”... “não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita m a f (1 Co 13.5b — grifo nosso). Em outra tradução, diz: “não arde em ciúmes”.

O ciúme é um sentimento de caráter emocional, mas também resulta de uma influência espiritual. A Bíblia fala de “espírito de ciúmes” (Nm 5.30). Há quem pense que ter ciúme é prova de amor. É engano. Prova de amor é ter zelo pelo cônjuge, é cuidar de sua segurança espiritual, amorosa e conjugal. Mas ter ciúme, no sentido de demonstrar atitudes de insegurança, de profunda insatisfação, ira ou depressão, é si-nal de desconfiança, e, sobretudo, de insegurança. Segundo a Psicologia, ciúme pode ser sinal de medo de perder a pessoa ou o objeto amado. E sentir-se inferior a alguém que pode “tomar” o seu parceiro.

As vezes, as desconfianças têm razão de ser. Se um esposo tem determinado comportamento e, depois de algum tempo, começa a demonstrar diferenças acentuadas, no relacionamento com a esposa, é motivo para preocupação. O cônjuge que sente insegurança começa a ver motivos de provável infidelidade em muitos detalhes da vida do outro. E começa a questionar várias coisas. Começa a indagar por que o outro está chegando mais tarde do que de costume; o esposo demonstra insegurança, e diz que estava trabalhando, quando, na verdade, estava em companhia de pessoa estranha; a esposa percebe que o esposo está com odor diferente; que não mais a procura para ter relações, como antes. Não quer mais ir para a igreja. E, assim, dá vários motivos para a desconfiança. Em princípio, vêm as cobranças; depois, vêm as discussões e os conflitos.

Ê sinal de infidelidade quando um cônjuge começa a se irritar e a ficar agressivo, quando é cobrado por mudança de comportamento. Alguém já disse que a mulher, quando desconfia, é porque algo está acontecendo de verdade. Das irritações, o cônjuge infiel passa para a agressão e as ameaças. Isso tem sido comum, em observações, no aconselhamento pastoral. O cônjuge errado ameaça o outro, buscando encobrir sua conduta pecaminosa. Não demora muito, e, como “... nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido” (Lc 12.2), o pecado vem à tona. A infidelidade é descoberta, o casamento é prejudicado e a família é envergonhada. O lar é atacado pelos ventos malignos da traição. Só um milagre de Deus, no coração do traidor pode mudar a situação. E um milagre no coração do cônjuge traído para perdoar e aceitar a restauração do casamento.

5. Tratamento grosseiro

O lar deveria ser sempre um ambiente de paz, união e harmonia no relacionamento entre seus integrantes. Mas, infelizmente, há lares que se comparam à praça de guerra, de lutas e desentendimentos. Um dos motivos para a infelicidade, no seio do casamento e da família, é o tratamento indelicado, grosseiro e descortês. Um lar em que a família se trata assim não deve ser chamado de lar cristão.

Onde Cristo habita, deve haver amor, compreensão, respeito, diálogo e tratamento cordial. Onde Cristo habita, existe a prática do fruto do Espírito (G1 5.22). Onde o Espírito Santo tem lugar, há amor, há alegria, há paz, há longanimidade, que é a paciência para suportar os defeitos e falhas dos outros; há bondade, há mansidão, há temperança, ou domínio próprio.

Os conflitos podem ser evitados com humildade, com oração, e com atitudes coerentes com pessoas que possuem Jesus em suas vidas. Se um cônjuge trata o outro com indelicadeza, e ouve uma resposta no mesmo tom, é conflito na certa. Mas, se um está irritado, e o outro, em oração, pede a Deus a graça de responder como um nascido de novo, as coisas mudam, pois a “palavra branda desvia o furor” (Pv 15.1). Que Deus nos ajude a praticar as relações humanas, no lar, na igreja, e em toda parte, conforme o manual de Deus para o relacionamento familiar.

II - ATIVIDADES PROFISSIONAIS DOS PAIS

1. A mulher no mercado de trabalho

É um fenômeno característico das últimas décadas. Antigamente, as mulheres desempenhavam um papel puramente doméstico e contentavam-se com isso. Elas eram mães de família, esposas e donas de casa. A cultura dos povos em geral relegava esse papel às mulheres. Mas, nos últimos anos, com o avanço do feminismo, o segmento feminino procurou liberar-se das “amarras” da cultura patriarcal ou machista, e reivindicou os mesmos direitos que são concedidos aos homens.

Nesse aspecto, os avanços foram enormes. A inserção das mulheres no mercado de trabalho tem aumentado de modo significativo. A urbanização acelerada, o processo de industrialização e as mudanças culturais, econômicas e sociais têm forçado a participação da mulher em atividades antes próprias dos homens. Por um lado, há um aspecto positivo. Inserida no mercado de trabalho, a mulher sente-se incentivada a demonstrar que não se limita ao papel de mulher doméstica, e comprova que tem capacidade para realizar as mais diferentes ocupações sociais. O nível de estudo das mulheres tem aumentado, e elas concorrem com os homens aos cargos mais importantes da nação. Há queixas quanto à diferença de salário e de natureza dos cargos ocupados pelas mulheres, mas há uma evolução marcante nesse aspecto. Por outro lado, temos que considerar alguns aspectos negativos desse fenômeno.

a) A mulher submetida à pesada carga de trabalho. Antes da revolução feminista, as mulheres eram esposas, mães e donas de casa. Depois, com o avanço cultural, ela continua, via de regra, a desempenhar essas funções domésticas, mas desenvolve trabalhos em empresas e organizações diversas, passando a maior parte das horas úteis envolvida nas atividades profissionais. Como profissional, muitas vezes, tem que chegar tarde em casa, e o esposo se ressente de sua ausência. Os filhos sentem falta da mãe. Isso causa conflitos. Pode haver entendimento, mas há inconveniências a serem consideradas.

A primeira e grande tarefa que a esposa tem como adjutora, na edificação do lar é na criação dos filhos ao lado do marido. Isso não é pouca coisa. Diz um provérbio: “Quem educa um homem, educa um cidadão. Quem educa uma mulher, educa uma nação”. E fácil entender. Uma mãe, quando cônscia do seu dever, contribui com parcela ponderável de sua vida na edificação moral e espiritual dos seus filhos que, no futuro, serão cidadãos úteis à nação. Pai e mãe, juntos, devem contribuir para a educação dos filhos.

Não queremos dizer com isso que só a mãe deve preocupar-se com a educação dos filhos. De modo algum. Essa é tarefa do esposo, igualmente. Diz Provérbios: “Filho meu, ouve a instrução de teu pai e não deixes a doutrina de tua mãe” (Pv 1.8). Entretanto, no lar, normalmente, na maioria dos casos, é o esposo que passa a maior parte do tempo fora de casa, durante o dia, no trabalho na fábrica, na repartição etc. A esposa, por outro lado, dedica-se mais às atividades domésticas, diretamente no lar. Isso faz parte da necessária divisão do trabalho, para que haja melhor resultado do esforço comum.

b) Os filhos sofrem com a ausência da mãe. Com a mãe trabalhando fora de casa, os filhos passam a viver com as empregadas domésticas, que, por melhor que sejam, não substituem a mãe. Não sentem pelas crianças o amor do seio materno. As crianças ficam desorientadas, convivendo muitas vezes com pessoas sem a necessária educação. Por outro lado, ficam o dia todo diante da “babá eletrônica”, a televisão, sendo educadas pelos falsos tipos de heróis artificiais do vídeo. Está crescendo uma geração “biônica”: sem amor, sem afeto, sem carinho...

Uma boa creche ainda supre, em parte, a falta da mãe. Mas, quem pode pagar uma boa creche? A nosso ver, sendo possível, é interessante que a mãe de família, obrigada a trabalhar, procure um emprego que ocupe só um expediente, coincidindo com o horário de aula das crianças. No outro expediente, é fundamental o contato da mãe com os filhos, que já sentem a ausência do pai durante o dia.

Em grandes cidades, o pai sai de madrugada. Os filhos ficam dormindo. Quando retorna ao lar, já tarde, os filhos estão dormindo. Como se sentem esses filhos? E se a mãe também se afasta o dia todo? Certamente há grandes prejuízos nesse relacionamento familiar. Por isso, “a mulher sábia edifica sua casa...”

c) O prejuízo para a mulher. Essa realidade é positiva? Sim. Mas para o lar traz alguns problemas. O acúmulo de papéis, com o tempo, leva ao desgaste emocional e físico. Não se dedicando mais inteiramente ao lar e ao esposo, a mulher se vê pressionada para exercer os múltiplos papéis com eficiência. As cobranças podem gerar conflitos sérios no casamento. A Bíblia diz: “Toda a mulher sábia edifica sua casa, mas a tola derruba-a com as suas mãos” (Pv 14.1). A mulher sábia é a “mulher virtuosa” de que fala Provérbios 31.10. Ela tem capacidade de edificar a sua casa como adjutora do seu esposo ao lado dos filhos.

d) Os pais ausentes do lar. Os pais são os líderes do lar de acordo com a Palavra de Deus. Como líderes, devem ser exemplo para os filhos. Mas muitos são apenas genitores. Geram e deixam os filhos crescerem, dão alimento, roupa, calçado, as melhores escolas (quando podem), dão dinheiro e condições para sua independência. Mas, para a maioria, falta dar aos filhos o principal: amor, atenção, presença na sua formação, no seu desenvolvimento.

A ausência da mãe prejudica a formação, a educação. A ausência do pai prejudica a visão que o filho ou a filha deve ter das relações familiares. Muitos pais só dão atenção aos filhos quando eles estão doentes, ou são vítimas de algo trágico, de um acidente, ou ameaça de morte. No mais, passam os anos sem terem diálogo, contato ou aproximação com os filhos. Isso é altamente prejudicial. A presença do pai, no lar, é fundamental para a formação espiritual e emocional dos filhos.

III - A MÁ EDUCAÇÃO DOS FILHOS

Entende-se por má educação o mau comportamento dos filhos no lar ou fora dele. Neste aspecto, não nos referimos à educação formal dos bancos escolares. Os lares estão prejudicados quanto à educação comportamental. Com o excesso de ocupação dos pais, os filhos são entregues a creches, escolas e a outras entidades do sistema educacional. Quem são os professores ou os mestres da maioria das crianças e adolescentes nos dias atuais? Serão os docentes, nas escolas? Serão os professores da ED? Ou serão os pais, dedicados à formação espiritual, moral e ética de seus filhos? Nenhuma das respostas estaria certa.

Infelizmente, para nossa tristeza e graves prejuízos para a nação, os “mestres” por excelência dos filhos em geral são os atores, as atrizes e produtores das empresas de telecomunicação. São os produtores de sites da internet. Poderiam ser meios úteis para ajudar na educação das gerações. Mas, na prática, são veículos eficazes para a má educação de gerações inteiras. Adolescentes, no Brasil, seguem muito mais o que lhes é ensinado na novela de adolescentes do que o que lhes é repassado nas salas de aula.

Não é por acaso que, no meio das igrejas, há tanta rebeldia entre adolescentes e jovens. Ê raro ver adolescentes e jovens nos cultos de oração ou de doutrina. Mas é comum vê-los diante da TV, assistindo a algum tipo de “lixo” midiático. A Bíblia, o Livro Sagrado, exorta solenemente os adolescentes e jovens: “Afasta, pois, a ira do teu coração e remove da tua carne o mal, porque a adolescência e a juventude são vaidade. Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento” (Ec 11.10; 12.1).

Filhos de pais ricos, que estudavam nas melhores escolas da capital do país, atearam fogo num índio, que dormia numa praça, matando o infeliz sem teto que ali estava. Filhos de pais abastados mataram uma jovem, porque pensaram que ela era uma prostituta. Filhos de classe média fazem parte das “torcidas organizadas”, que agridem, esfaqueiam, violentam e matam, nos estádios de futebol. Isso é fruto da má educação.

Mas a Palavra de Deus tem a solução. Diz a Bíblia: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22.6). Instruir no caminho quer dizer dar ensinamentos, orientações e advertências para a vida. É educar, no verdadeiro sentido, começando pela parte espiritual. Um menino educado, com base nos princípios bíblicos, não pode ser mal-educado. O conselho sábio de Paulo aos pais é sempre atualizado, mesmo com o passar dos séculos: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.4).

IV - FALTA DE ESTRUTURA ESPIRITUAL E MORAL

A família tem sido atacada no lado espiritual, com as investidas satânicas que propõem a sua destruição. Grande parte das famílias, em todo o mundo, não tem estrutura para enfrentar as mudanças rápidas e desintegradoras das famílias.

A falta de Deus é o inimigo número 1 do lar. Ele se revela quando o ambiente em casa é destituído de espiritualidade. Quando Deus está presente no lar, sente-se uma atmosfera diferente, agradável e santa. O pai e a mãe se unem aos filhos para servirem ao Senhor. Deus é o hóspede invisível, mas real, que domina o ambiente da família. Em cada canto da casa, pode-se sentir Deus. Há harmonia entre todos. Há louvores. Há devoção sincera ao Senhor. As coisas de Deus são colocadas em primeiro lugar e o lar é uma continuação da igreja.

Por outro lado, quando Deus não está no lar, sente-se que o ambiente é carnal, pesado, cheio de manifestações mundanas. As coisas materiais estão em primeiro lugar. Só se pensa em prazeres materiais, riquezas, dinheiro, diversões e coisas mundanas! A casa é uma continuação do mundo.

Há famílias denominadas cristãs só porque os pais são cristãos e têm Deus em seus corações, mas que não conseguem ter a presença de Jesus no lar, porque há um verdadeiro conflito em casa. Como combater esse inimigo — a falta de Deus? Não é fácil. O melhor é evitar que ele se manifeste. É interessante que os que vão constituir família convidem Jesus para se fazer presente no seu lar, mesmo antes de se casarem. Esta é uma preocupação abençoada.

1 O que é Temperamento: Disponível em http://educamais.com. Acesso em 17/04/2012.



FONTE
Formar uma família e mantê-la com princípios e valores cristãos é um desafio na pós- modernidade. Para obter sucesso, não só é preciso conhecer o que a Bíblia diz, mas como também colocar seus ensinamentos em prática. Desse modo, as contaminações do mundo sobre a família cristã podem ser identificadas e refutadas. Proteja sua família! 

Livro de apoio a lição bíblica do 2º trimestre de 2013.


AUTOR: Elinaldo Renovato de Lima

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