quinta-feira, 11 de abril de 2013

Os Profetas Menores e a atualidade de sua Mensagem



Os chamados Profetas Menores — Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias — viveram em um período de tempo que vai do século oitavo a.C. ao século quinto a.C.; entretanto, a sua mensagem é ainda atuai e pungente para os nossos dias, pois traz princípios e advertências voltados para questões sociais, políticas, familiares e espirituais que se aplicam à realidade de crentes de todas as épocas, além de conterem revelações escatológicas, sobretudorelacionadas ao futuro de Israel, que ainda irão se cumprir, e muitas profecias relativas à Primeira Vinda de Cristo, que já se cumpriram e são atestadas nos Evangelhos.



Os Profetas Menores são assim chamados não porque seus ministérios tenham tido menos importância em relação aos dos chamados Profetas Maiores — Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Essa designação, que tem origem no cristianismo, expressa apenas o fato de que aqueles foram profetas canônicos veterotestamentários que deixaram um menor registro de profecias em seas respectivos livros. Na Bíblia hebraica, eles estão contidos em um só volume e foram provavelmente agrupados dessa forma por volta de 425 a.C. por Esdras e a chamada Grande Sinagoga, um grupo formado por 120 doutores da Lei. Como destaca Isaltino Gomes, “o volume con־ tendo todos os Profetas Menores se constitui de 67 capítulos e 1.050 versículos. E menor que Isaías, que tem 66 capítulos e 1.202 versículos; que Jeremias, que tem 52 capítulos e 1.364 versículos; e que Ezequiel, que tem 48 capítulos e 1.273 versículos. No entanto, [...] não se deve pensar que a extensão de sua obra possa nos levar a presumir de pouco valor espiritual. [...] Se tivermos sensibilidade e soubermos ouvir o que o Espírito Santo nos ensina através deles, nossa vida será grandemente enriquecida”.1

Na literatura judaica, esses livros são chamados de “Os Doze” ou “Os Doze Profetas” (ou Dodekapropheton, no texto grego da Septuaginta) pelo menos desde 132 a.C. (outros datam 190 a.C.), época provável da produção do livro apócrifo de Eclesiástico, escrito por Jesus Ben Sirac, que é o primeiro registro conhecido dessa designação: “Quanto aos doze profetas, refloresçam os seus ossos em seus túmulos, pois fortaleceram Jacó, e redimiram-se (da servidão) por uma fé corajosa” (Eclesiástico 49.12). Quanto à designação cristã “Profetas Menores”, ela surgiu na Igreja Latina, segundo afirma Agostinho (345-430 d.C.), bispo de Hipona, em sua obra 71 Cidade de Deus.

A Atualidade da Mensagem dos Profetas Menores
Deus falou no passado por profetas (Hb 1.1) e a mensagem destes ainda tem relevância para os nossos dias, posto que a Bíblia assevera que “toda a Escritura é inspirada por Deus” (2 Tm 3.16, ARA), servindo para a nossa edificação espiritual, ou seja, “para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (2Tm 3.16,17). Porém, é claro que as profecias e orientações do Antigo Testamento devem ser vistas sempre à luz de Cristo.

Os apóstolos Mateus e João, e o próprio Jesus, afirmam o cumprimento das Escrituras dos profetas do Antigo Testamento em Cristo (Mt 26.56; Lc 24.47; jo 1.45). Jesus ressaltou que toda a mensagem da Lei e dos Profetas do An tigo Testamento é cumprida em sua regra áurea (Mt 7.12), e os apóstolos Tiago e Paulo frisaram que a mensagem dos profetas do Antigo Testamento é essencialmente a mesma da Igreja no Novo Testamento (At 15.15-17; 26.22,23). Paulo sublinhou também que “tudo que dantes foi escrito [no Antigo Testamento] para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15.4). Logo, entendemos que a mensagem dos profetas do Antigo Testamento “são de máxima importância para a vida espiritual do cristão. A sabedoria e as leis morais de Deus, no tocante a cada aspecto da vida, bem como sua revelação a respeito dEle mesmo, da salvação e da vinda de Cristo, são de valor permanente”.2

A mensagem dos profetas do Antigo Testamento não era apenas preditiva. Esses homens de Deus eram, sobretudo, pregadores morais e éticos, vigias, sentinelas levantados por Jeová para despertar e exortar suas respectivas gerações. Durante as dominações assíria, babilônica e persa, Deus levantou esses homens para ora conclamar o povo de Israel ao arrependimento, ora reanimá-los; e, em suas exortações proféticas, eles denunciaram e combateram contundentemente a corrupção, o abuso de autoridade, a injustiça social, a idolatria e o arrefecimento espiritual e a frouxidão moral do povo, o que atesta a atualidade premente dessas exortações para os nossos dias — ou melhor, para todas as épocas.

Os Profetas Menores e o Messias
Mas os Profetas Menores, como já afirmamos, também são, sim, notabilizados por suas mensagens messiânicas e escatológicas, de maneira que eles concluem o Antigo Testamento com um clima de esperança e expectativa em relação à Primeira Vinda do Messias e trazendo vislumbres do reino milenar de Cristo sobre a Terra, temas abordados no Novo Testamento. São, portanto, uma excelente porta de entrada para os livros neotestamentários.
Como bem ressalta Dionísio Pape, é altamente sugestivo que, após o longo silêncio do período intertestamentário, o Novo Testamento se abre com Jesus Cristo e a escolha dos doze apóstolos como pregoeiros da Boa Nova da Salvação. Essa relação histórica entre as promessas dos Doze no fim do Velho Testamento e a sua realização através da missão dos Doze no início do Novo Testamento deve despertar no povo de Deus o afã de conhecer mais profundamente os escritos inspirados dos doze profetas menores, que ainda nos falam hoje. [...] A palavra dos profetas menores é uma mensagem de justiça e esperança para hoje.3

Muitas são as profecias relativas ao Messias que aparecem nas páginas dos Profetas Menores. Em Oseias, lemos que o Messias seria o Filho de Deus (Os 11.1a c/c Mt 2.13-15), seria chamado do Egito (Os 11.1b c/c Mt 2 .1315) e venceria a morte (Os 13.14 c/c 1 Co 15.55-57). Em Joel, foi predito que o Messias ofereceria a salvação para todos (JI 2.32 c/c Rm 10.12,13). Em Amós, é anunciado que Deus faria com que o céu se escurecesse ao meio-dia, como ocorreu na morte do Messias (Am 8.9 c/c Mt 27.45,46).

Em Miqueias, é predito que o Messias nasceria em Belém (Mq 5.2a c/c Mt 2.1,2), que Ele seria o Servo de Deus (Mq 5.2b c/c Jo 15.10) e que veio da Eternidade (Mq 5.2 c/c Ap 1.8). Em Ageu, é predito que o Messias visitaria o Segundo Templo (Ag 2.6-9 c/c Lc 2.27-32) e que seria descendente do governador Zorobabel (Ag 2.23 c/c Lc 3.23-27). Em Zacarias, o Messias seria Deus encarnado e habitaria entre o seu povo (Zc 2.10,1 la c/c Jo 1.14), seria enviado por Deus (Zc 2.10,1 lb c/c Jo 8.18,19), o descendente do governador Zorobabel (Zc 3.8 c/c Lc 3.23-27), o Servo de Deus (Zc 3.8b c/c Jo 17.4), Sacerdote e Rei (Zc 6.12,13 c/c Hb 8.1), recebido com alegria em Jerusalém (Zc 9.9a c/c Mt 21.8-10), visto como Rei (Zc 9.9b c /c jo 12.12,13), justo (Zc 9.9c c/c Jo 5.30), estaria trazendo a salvação (Zc 9.9 c/c Lc 19.10), seria humilde (Zc 9.9 c/c Mt 11.29), apresentado a Jerusalém montado num jumento (Zc 9.9 c/c Mt 21.6-9), a pedra de esquina (Zc 10.4 c/c Ef 2.20), rejeitado por Israel (Zc 11.10 c/c Lc 19.41-44), traído e trocado por trinta moedas de prata (Zc 11.12 c/c Mt 26.14,15), as trinta moedas cie prata seriam lançadas na Casa do Senhor (Zc 11.13a c/c Mateus 27.3-5) e usadas para comprar o campo do oleiro (Zc 11.13b c/c Mt 27.6,7), o corpo do Messias seria transpassado (Zc 12.10 c/c Jo 19.34), Ele seria um com Deus (Zc 13.7a c/c Jo 14.9) e seus discípulos se dispersariam (Zc 13.7b c/c Mt 26.31-56).

Em Malaquias, é anunciado que um mensageiro prepararia o caminho para o Messias (Ml 3.1a c/c Mt 11.10), que o Messias apareceria subitamente no Templo (Ml 3.1b c/c Mc 11.15,16), que seria o mensageiro da Nova Aliança (Ml 3.1c c/c Lc 4.43), que o precursor do Messias viria no espírito de Elias (Ml 4.5 c/c Mt 3.1,2) e que esse precursor converteria muitos à justiça (Ml 4.6 c/c Lc 1.16,17).4

Divisão dos Livros
Os Profetas Menores podem ser divididos em Pré-Exílicos (antes do Exílio Babilônico) e Pós-Exílicos (depois do Exílio Babilônico). Os Pré- Exílicos são Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque e Sofonias; os Pós-Exílicos são Ageu, Zacarias e Malaquias.

Outra forma de organizarmos esses livros é olhando para qual público se dirigiam. Dessa forma, podemos dividi-los também em livros com mensagens voltadas ao Reino de Judá (Joel, Miqueias, Habacuque e Sofonias), livros com mensagens voltadas para o Reino de Israel (Amós e Oseias), livros com mensagens voltadas às nações (Jonas, Naum e Obadias) e livros com mensagens voltadas aos judeus remanescentes pós-exílio (Ageu, Zacarias e Malaquias). Os profetas do Reino de Israel profetizaram no oitavo século; os de Judá, no oitavo e sétimo séculos; e os pós-exílicos, no sexto e quinto séculos.

Nas próximas páginas, apresentaremos um estudo panorâmico de cada um desses doze livros especiais, examinando o contexto histórico de cada profeta, o propósito de suas mensagens e a aplicação delas para os nossos dias e para a nossa vida.

Esperamos que esse estudo abençoe a sua vida de forma especial e desperte-o a aprofundar-se ainda mais no estudo dos Profetas Menores.

http://www.renatobromochenkel.com.br/

Resenha do livro Os Doze Profetas Menores


Por Ezequias Soares

Afirma a Palavra de Deus: “Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor” (Os 6.3a). Sempre que tratamos dos livros proféticos do Antigo Testamento, o grande desafio, além de expor seu conteúdo teológico e doutrinário, é também o de demonstrar sua mensagem de ordem prática para vida da igreja atual. Creio que os autores Alexandre Coelho e Silas Daniel conseguiram atingir esse objetivo na presente obra que trata dos Doze Profetas Menores.

Ao lado de fornecerem ao leitor as devidas informações sobre cada profeta, a estrutura de seu livro e a sua mensagem, há a preocupação de contextualizar para nossos dias as questões sociais, políticas, familiares e espirituais que levaram esses servos do Senhor a alçar suas vozes contra o pecado que se fazia presente entre o povo escolhido é uma qualidade que reveste essa obra de importância. Como colocam os autores na introdução do livro: “A mensagem dos profetas do Antigo Testamento não era apenas preditiva.

Esses homens de Deus eram, sobretudo, pregadores morais e éticos, vigias, sentinelas levantados por Jeová para despertar e exortar suas respectivas gerações. Durante as dominações assíria, babilônica e persa, Deus levantou esses homens para ora conclamar o povo de Israel ao arrependimento, ora reanimá-los; e, em suas exortações proféticas, eles denunciaram e combateram contundentemente a corrupção, o abuso de autoridade, a injustiça social, a idolatria e o arrefecimento espiritual e a frouxidão moral do povo, o que atesta a atualidade premente dessas exortações para os nossos dias — ou melhor, para todas as épocas”. No atual momento histórico da igreja evangélica brasileira, com a comprovação do seu crescimento numérico de forma surpreendente na última década, em especial a ala pentecostal, e mais especialmente a Assembleia de Deus, o estudo da mensagem dos Doze Profetas Menores é importantíssimo para que possamos avaliar nossa ação e testemunho como igreja pela ótica divina por eles expressa.

Devemos tomar consciência de que o Inimigo das nossas almas tenta hoje, da mesma forma como tentou fazer com o povo de Israel, destruir nossa comunhão com o Senhor. O clamor dos profetas do Antigo Testamento é atualíssimo, pois estamos hoje diante dos mesmos desafi os: manter íntegra nossa aliança com o Senhor, resistindo a todos os ataques do inimigo, e demonstrarmos com o nos so viver santo a realidade da mensagem de salvação.

Diante disso, o trabalho desenvolvido pelos autores vem contribuir para tornar acessível ao leitor essa mensagem tão importante para os dias de hoje, através de “um estudo panorâmico de cada um desses doze livros especiais, examinando o contexto histórico de cada profeta, o propósito de suas mensagens e a aplicação delas para os nossos dias e para a nossa vida”. Indico a leitura dessa obra, tão oportuna, e que certamente servira para despertar em todos os seus leitores um maior interesse não apenas em conhecer a mensagem dos Profetas Menores, mas de principalmente viver os valores espirituais, éticos e morais de origem divina por eles expressos.
 Esequias Soares é pastor, líder da AD em Jundiaí (SP) e da Comissão de Apologética da CGADB, escritor, membro da Casa de Letras Emílio Conde e comentarista da revista Lições Bíblicas (CPAD) de Escola Dominical do quarto trimestre de 2012, que trata sobre os Doze Profetas Menores.

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1 CO E LH O FILHO, Isaltino Gomes. Os profetas menores. Rio de Janeiro: JUERP, 2002.
2 STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 1725.
3 PAPE, Dionísio. Justiça e esperança para hoje — a mensagem dos profetas menores. São Paulo: ABU Editora, 1993.
4 Levantamento de profecias messiânicas no Antigo Testamento do site www.biblicist.org.
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